Calendoscopiando a Alma!
"todo poema é uma aventura planificada" (C.L.)
Pesquisar este blog
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Um gole de mim
Bebi o copo das lentes
Acendi um cigarro e saí
Fingi que não tinha
Doeu tanto
não poder
O coração abriu-se
Sangue quente, vertigem...
A doer de não ser
A sina de ser
A vontade de não explicar
poemizar-me
Polemisar-te
Causar mar sem fim..
O sorriso dos olhos
A cor dos lábios
A grande mania
De ir de mim
De rir-se
Sabotagem
Vazio
Existe isso
Então vazio
Contemplo
O que sobra
Desafio
A boca mente
O olhar revela
As mãos
Frias
Silêncio
E eles se vão
Nunca souberam
Quem eram
Tinham medo
De ficar
Encostar a mão
Abrir o abraço
Não importa
Doeu...
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Amantes
Ele passa e deixa seu perfume,
Ela passa e expõe suas armas.
Chão de estrume!
Constroem a vida da guerra
Comem, choram, gozam
E se jogam por qualquer janela!
Ele se esconde nas trevas
Ela se desespera...
Uma flor nasce enquanto eles esperam...
Constroem a vida em castelos de cartas
sorri, seduz e matam!
Se vão saciados por qualquer fresta...
Ele alimenta o ego,
Ela se banha de ferro!
Um coração para do outro lado da vila!
Constroem a vida e da morte fazem festa!
Cortam, roubam, invadem palácios...
Enquanto um homem se masturba na janela.
E já passam ele ou ela...
Tanto queriam que nada souberam.
Do calor da terra
Viram alimentos para os corvos.
Desses
corpos pouco aproveitados...
Ela passa e expõe suas armas.
Chão de estrume!
Constroem a vida da guerra
Comem, choram, gozam
E se jogam por qualquer janela!
Ele se esconde nas trevas
Ela se desespera...
Uma flor nasce enquanto eles esperam...
Constroem a vida em castelos de cartas
sorri, seduz e matam!
Se vão saciados por qualquer fresta...
Ele alimenta o ego,
Ela se banha de ferro!
Um coração para do outro lado da vila!
Constroem a vida e da morte fazem festa!
Cortam, roubam, invadem palácios...
Enquanto um homem se masturba na janela.
E já passam ele ou ela...
Tanto queriam que nada souberam.
Do calor da terra
Viram alimentos para os corvos.
Desses
corpos pouco aproveitados...
A PROSTITUTA SAGRADA
Meus pêsames a aqueles que trancafiaram suas esposas em casas de vidro, aos que foram às ruas praticar a arte da retórica com seus aprendizes eunucos. Que só ouvem, mas não lhes dão os prazeres da carne. Sei o quanto vocês, mortais inseguros, se sentem frustrados. Aqueles que, como os Sátiros, se julgam interlocutores de animais, meus pesares. Nem todos os animais estão dispostos a trocarem diálogos com vocês, queridos ególatras das noites de bacanais. E agora que as mulheres de bem se encontram encarceradas, e têm seus sonos velados pela mais ciumenta das deusas, duvido que Hera os permita violá-las. Mas não se preocupem, homens de todos os gêneros, tão desgostosos de não terem onde saciarem seus desejos mais sórdidos, eis que a ninfa, para alguns, ou a Afrodite , para poucos, chegou na cidade.
Ninfa serei àqueles que como bestas ejaculam apenas os falsos risos e as máscaras de suas alegrias contidas em dentes amarelos carcomidos pelos vícios. Preparei-me ninfa, Dríade ou outro tipo, para vocês gordos comilões das tardes de domingo. Os que sem nada para fazer além de jogar os restos de carne fétida aos chacais de circo. Eu estou aqui, cheguei há pouco. E por não conviver com tantos lobos ainda me encontro virgem de minhas faculdades. A singeleza da natureza e a inocência dos animais sem razão ainda se pode encontrar neste corpo branco de seios rosa e cheiro de flor. Fui preparada por Hera e Atenas para dar prazer e divertir, sem ao menos expressar qualquer dor, medo, ou repulsa a qualquer que queira submeter-me aos seus caprichos. Fui domesticada por Zeus, amedrontada por Hades e violada tantas vezes por Posseidon que já podem derramar seus líquidos viscosos e grossos sobre o meu clitóris sem que eu me faça reclamar.
O que aconteceu então, pequena ninfa bacante? Alguma coisa no caminho para a cidade cinza a fez chegar diferente do inicio, do propósito para o qual foi criada... Contarei agora a vocês o ponto de intersecção das dores do mundo em minha trajetória: No caminho para a cidade fui desviada da estrada que seguia por uma aparição sedutora! Ela me guiou para uma estrada de lama, afastada do caminho oficial. Surgiu nua, a tocar os seios e impor sobre suas coxas uma tocha acesa, o fogo da sedução. Não me disse uma só palavra apenas tocou com os seus os meus lábios. No momento me deliciei de seu corpo de mulher, algo que nunca pude apreciar, a não ser de longe, mas no momento do gozo me vi, e nunca havia me percebido, violada. Ela se foi, com sua risada de deboche sem olhar para trás, sabendo que a mancha sobre o trabalho árduo de suas rivais, Hera e Atenas, havia sido findado. E em mim? Fez-se a guerra de Tróia...
Já não era mais a ninfa inocente, já não podia disfarçar a repulsa dos mortais, animais. Mas valendo-me dos anos que aprendi a fingir o que não era fui confiante para a cidade. Passados alguns semi-deuses e mortais sedutores enfim encontrei meu destino. Batom vermelho nos lábios, coxas grossas trabalhadas pela caminhada na floresta e dentes brancos que encantavam em meio aos sorrisos sedutores me sentei em uma taverna. Pedi um whisky sem gelo e acendi um cigarro. Ali, meio menina, só os poucos, talvez Dionísio em sua malícia de anos, perceberiam que por trás de tão linda crina se escondiam as cobras que segavam aqueles que ousassem olhar de perto. Agora eu era meio ninfa, meio Afrodite e sempre que necessário uma Medusa sem piedade.
Os corações de pedra não me amedrontavam, pois por minhas habilidades de sedução no olhar era capaz de enxergá-los além das fachadas. O método? Sempre o mesmo... Resquícios da minha educação do Olimpo. A primeira vista pouco falava, parecia ser submissa e cheia de timidez... Mas ao terceiro trago eu me transformava. Ainda falando pouco, tecia os mais belos elogios que eram capazes de dobrar até mesmo os mais safos dos ególatras. E se não conhecia sobre o que se falava, sorria, tocava em minhas coxas e logo tudo era desvelado. Possuía quantos homens quisesse e estudava a forma de saciá-los. E saciava-me. No entanto, ao primeiro raio da alvorada já sumia para a minha caixa de pandora... Sem rastros. Sobre a cama apenas o perfume da noite de amor selvagem.
Os anos, meus queridos, foram passando, a beleza cada vez mais escassa, tímida e sem luz... Tudo porque o meu ego me fez achar que nunca perderia o vigor das minhas habilidades de mulher dionisíaca... Então me tranquei em minha caixa e lá, fui retirando as máscaras que machucavam... Perdi-me nos anos até que a morte me foi selada...
Passaram-se dias, semanas e era até que um Sátiro encontrou a caixa de Pandora... Como todo Sátiro, curioso e cheio de vaidades apenas abriu... e Bum! És que a ninfa ressurgiu ao seu lado... Como uma Prostituta Sagrada!
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
por acaso...
Vai chegando,
Se espreguiça...
Seu jeito menino
Ganha um olhar.
Parecia que não ia,
Nunca! Jamais!
Me apaixonar.
Minha mente?
Prática,
Meu olhar?
Tigresa.
Por mim,
Muitos...
Cortem as cabeças!
Por acaso você
Chega assim,
Descompassa,
Minha vida.
Minha ideia?
solidão.
Minha alma?
Bandida.
Me entrego!
Deixo ser...
Junto tudo,
Eu em você!
Bota Velha
Cresci,esqueci a poesia,
Deixei em casa
Dentro de uma bota velha, Vazia!
Estragou, amarelou,
E achei que não era...
E um dia,
Não queria mais,
Não crescia mais!
Voltei na janela,
Olhos cheios de lágrima,
Quimera.
Olhei a bota velha
E bem no fundo
Um papel,
Uma folha amarela,
Dizia bem baixinho:
"Flor volta,
A poesia te espera!"
E então?
Peguei a bota,
A flor,
A quimera.
De uma vez por todas
Me atirei da janela!
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Metamorfose
Ao passar por dificuldades e perdas deixamos que a vida nos mostre o quanto fomos negligentes com o que sempre esteve dentro de nós e não conseguíamos ver. Desta maneira entendemos que vale a pena cada lágrima, cada gota de suor, cada abraço dado por nós mesmos e cada gesto generoso que temos com a nossa alma. Ao passarmos por tristezas apredemos que não vale a pena mentir para nós mesmas, passamos a acreditar que podemos ser apenas o que podemos ser, e nada mais. Ao aceitar cada erro e cada sorriso como parte da jornada, coisas boas nos tomam de assalto e pessoas sensacionais que sempre quiseram estar e fazer parte da nossa vida ganham espaço. Estamos metamorfoseando a alma, estamos sentindo que o novo se abre e chega ganhando espaço. Espaço que sempre lhe pertenceu, mas que não conseguíamos ver. Amor e alegria não são para entender, são sentimentos, deixa ser. Os verdadeiros amigos ficam, e é claro como cristal quem eles ou elas são. Basta abrir os olhos e os braços. Basta deixar que venha e que um sorriso apague toda a escuridão que havia, e enfim nos mostre toda a luz que sempre tivemos mas não conseguíamos enxergar!! Metamorfoseando a alma... É natural que dias maus venham para que os bons possam ficar e nos mostrar que sempre vale tentar, sempre vale enfrentar essa selva que comumente chamados de nós!
Sabemos que depois de alguns desastres podemos ser mais generosas com nossas vidas, com cada pedaço do nosso coração. A cura é uma questão de tempo e de não deixar que a mente domine. A mente sempre tentará nos dizer o que não podemos, e sempre nos levará a desejos que se quer sabíamos controlar. Mas o importante não é ignorar tudo o que somos. É aceitar que somos apenas o que podemos ser. Ás vezes fortes, ás vezes não... Mas felizes sempre... A felicidade é uma atitude é uma decisão. Decida então ser feliz hoje com o que já tem em suas mãos. E abrace aqueles que também buscam essa iluminação. Não é fácil essa vida, não é fácil lidar com o ego e com as decisões que tomamos. Mas essa é a melhor parte! Quando descobrimos que não podemos evitar a intensidade e a confusão que faz parte de nós já não há mais confusão! Já não há mais caos... E se há deixa que seja.... Estamos metamorfoseando a alma... E mesmo que se esforce, a mudança é inevitável... Então que venha! Venha a chuva, venha o amor, venha o sorriso, venha os bons momentos e tudo o que a vida reserva para nós...
Assinar:
Postagens (Atom)
entre sem bater....
"Se o amanhã é um mistério, porque me preocupo tanto com o que ainda virá? É tão rara a calma de um olhar. Ao conversar com Deus, dobro os meus joelhos, sinto uma brisa suave. É onde encontro esta calma, este momento de alegria, que vai além de um instante, durará eternamente em mim." (Ana Catarina Braga)
Quem Vem de Lá?
Ela... Poesia concreta.. feita por mim... por nós... por quem surgir..."O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo." (Clarice Lispecto)

.jpg)



